Na Vestidolândia, quem veste calças é louco - (uma fábula sobre educação)

Era uma vez, um planeta muito distante, onde todos sempre usavam vestidos: homens, mulheres, meninos, meninas e bebês. 

Não havia outra vestimenta e nunca ninguém tinha escutado que era possível vestir outra roupa.


Este tipo de vestimenta sempre apresentou falhas, mas nos últimos 40 anos, foi devastador para o desenvolvimento econômico e social da população.


Tudo o que os habitantes daquele planeta queriam, era melhoria no vestuário.

Eles reclamavam de tudo, pois os índices mostravam quedas vertiginosas.


Os “especialistas do senso comum” propunham mudanças nos tecidos, nos botões, nos zíperes, no corte e nos modelos dos vestidos. Queriam tecido mais grossos, disciplinados, rígidos e cada vez mais endurecidos, pois todos deveriam se moldar aos vestidos. 


Nos últimos 70 anos, com o avanço das ciências da Vestagogia, muitos estudiosos das ciências da vestimétrica foram designados para tratar dos desastres causados pelo vestido tradicional, que não apresentava resultados positivos. 


Os primeiros vestagogos que propuseram uma nova vestimenta, onde o formato não fosse de vestido, mas de calças e camisas, quase foram queimados em praça pública. 


Até hoje, o sistema da vestimétrica deste país é tradicional, pois vestido é tudo que eles conhecem.


Apesar dos estudos da Vestagogia provarem que é preciso uma reforma profunda no sistema, os “especialistas do senso comum” dizem que os problemas são causados pelos vestagogos e que a solução é uma melhoria nos vestidos tradicionais, embasados em estudos de caráter suspeitos, pedem que os vestidos sejam mais rigorosos. 


Em terra de vestidos, quem pede calça é louco. 


- aqui acaba a fábula -


Vou desenhar a realidade:


O sistema educacional tradicional é também conhecido por suas características: instrucionista, mecanicista, diretiva, conteudista e fragmentada.

É pautada pela transmissão de conhecimento de forma direta e verticalizada, pelo ensinar grande volume de conteúdos fragmentados e tem o professor como figura central. O aluno é expectador, a aprendizagem é passiva, segue sequencialmente os materiais didáticos, as aulas são expositivas e não há necessidade de vivência.


O sistema educacional tradicional no Brasil perdura há mais de 7 décadas. 


Os pedagogos entendem as falhas do sistema educacional tradicional, sabem que as melhorias propostas para este sistema são voláteis e infrutíferas a longo prazo e, devido a profundidade nos estudos das ciências da educação, conhecem concretamente outras formas de fazer educação, pautadas nas ciências e nas leis, como Montessori, Waldorf, entre outras.


Vale ressaltar que a educação tradicional não está pautada nas ciências da educação, nem nas leis (Constituição Federal e LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). 


Os "especialistas" que só conhecem a educação tradicional, pedem mais educação tradicional, até porque o novo e o desconhecido sempre assusta. Com sua visão limitada, colocam a culpa do desastre do sistema educacional nos pedagogos, que por sua vez sabem que este sistema não funciona e pedem inovação.


Em terra de educação tradicional, quem é pedagogo é louco.


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